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O Tradição dos Orixás

O Tradição dos Orixás

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O Tradição dos Orixás

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ENTRE A SEGUNDA METADE DA DÉCADA DE 1980 E A PRIMEIRA DE 1990 uma aliança política entre ativistas do movimento negro e líderes religiosos do Candomblé, em torno do desenvolvimento de ações para a preservação de religiões de matriz africana no país, originou o grupo Tradição dos Orixás. A ideia era articular as comunidades de terreiro em torno de ações concretas, com efeito político-jurídico, contra ataques físicos e simbólicos de determinadas igrejas do segmento evangélico neopentecostal que emergiam à época. 

Em 2016, o grupo volta a se reunir a fim de promover um movimento de reflexão e de autoavaliação para reforçar a perspectiva de que a responsabilidade pela preservação da sua tradição e das religiões de matriz africana é dos próprios terreiros, capazes de transmitir valores afrocentrados de dentro para fora. Seus membros são referências nos diferentes campos em que atuam (religioso, acadêmico e político), assim como nos debates em torno de preservação e proteção do patrimônio afro-brasileiro, nas esferas governamental e não governamental. 

Este livro é o registro dessa caminhada, que reúne entrevistas, fotografias e documentos pesquisados e organizados pelos autores – Edlaine de Campos Gomes e Luís Cláudio de Oliveira – que também resultou em documentário audiovisual, que está disponível no canal do Observatório do Patrimônio Religioso. 

Descrição do Produto

Apresentação do livro

A prática de um princípio civilizatório, por Elisa Larkin Nascimento

NESTE LIVRO OS AUTORES NARRAM UMA INICIATIVA COLETIVA de ativistas e intelectuais no final da década de 1980 e início dos 1990, sob a liderança de autoridades religiosas de diversas casas de Candomblé. A proposta era levar para a arena política do combate ao racismo a riqueza de significados e simbolismos oriundos da tradição africana no Brasil e a defesa das comunidades religiosas de origem africana contra a agressão violenta de setores evangélicos. Tal proposta dava continuidade a uma longa história de luta, parte da qual está documentada nas páginas do jornal Quilombo (2003) do Teatro Experimental do Negro (TEN). Desde seu primeiro número, publicado em 1948, o jornal trazia matérias sobre o assunto. Abdias Nascimento, fundador do TEN e diretor de Quilombo, criou o IPEAFRO em 1981. Voltando do exílio, Abdias vinha somar sua experiência de várias décadas à atuação da nova geração do movimento negro que então consolidava sua luta de resistência. Abdias queria o IPEAFRO como ferramenta a fortalecer essa luta, ajudando a impulsionar o combate ao racismo. Assim, o IPEAFRO tem como missão contribuir para ações que fortaleçam a transmissão de valores africanos às sucessivas gerações na Diáspora. Isto implica em aprender com o passado – com os ancestrais – para construir o presente e o futuro dos nossos jovens, crianças e não nascidos, conforme significa o símbolo adinkra Sankofa acima (Nascimento, E. L.; Gá, 2009, p. 40-41). 

A transmissão deste e de outros valores se dá de diversas formas, entre elas por meio da tradição de origem africana vivida em comunidades-terreiros, tema do presente volume. Por isso, o IPEAFRO assume entusiasmado a parceria com a editora Mar de Ideias. Fazer parte de sua coleção editorial Tramas de Ideias, conceituada pela feliz apreciação do relacionamento entre o termo “trama” e a noção de construção situa o IPEAFRO em seu lugar de berço, pois Abdias Nascimento o criou com esse objetivo: construir ações e legados de combate ao racismo a partir das tramas culturais, filosóficas, artísticas e epistemológicas tecidas pelos povos negros em África e sua diáspora. Assim como nosso curso “Conscientização da Cultura Afro-Brasileira”, referido no depoimento de Vera Ferreira aqui incluído, este livro constitui uma ação do IPEAFRO na esteira da orientação semiótica do adinkra Sankofa. 

Os autores deste livro realçam a importância de recuperar, estudar, ressignificar e disseminar os valores semióticos e epistemológicos africanos, proposta inerente à ação do IPEAFRO. A composição de nossa insígnia une dois símbolos. Abaixo está a máscara africana criada em 1944 pelo cenógrafo Tomás Santa Rosa como marca do Teatro Experimental do Negro (TEN). Junta- se a ele o símbolo do quilombismo desenhado por Abdias Nascimento em 1980, reunindo os princípios da comunicação, contradição e dialética (Exu) com os da inovação tecnológica e do compromisso de luta (Ogum). (…)

 

Texto da Orelha

CONHECER JAYRO PEREIRA E O ACOMPANHAR na encruza descolonial entre o Movimento Negro e a sociedade brasileira é uma dessas coisas que firmam convicções racionalmente inexplicáveis. Junto com Gésia de Oliveira, ele trouxe a proposta de um Grupo de Trabalho para discutir religião no 2º Encontro do Movimento Negro do RJ, que ocorreu em Nova Iguaçu, em 1987. Tentei argumentar que “nosso negócio” era política, mas ela e ele, didaticamente, mostraram ao Yedo e a mim, que não sabíamos do que estávamos falando. Para Gésia e Jayro, questões referentes às manifestações culturais de matrizes africanas, assim como ao Movimento Negro, eram questões culturais, políticas, sociais... Eram históricas! E, portanto, espirituais! Evidentemente não entendi. Mas era tão desafiador aquele raciocínio, havia um brilho no ar, em seus olhares... Sei lá! O GTR foi o 2º mais lotado (o mais amplo era, sempre, o de Educação tocado por Azoilda e outros incansáveis). E seu relatório o mais propositivo e exequível. 

Desde então incorporei o “novo componente metodológico” trazido pelos argumentos. Na teoria de Jayro e Gésia era imprescindível considerar os arquétipos (a orixalidade) das pessoas e contextos, das proposições e estratégias, dos processos de organização e das ações propriamente ditas. Assim, as chances de dar certo eram muito maiores! 

Onde há luz, há trevas. Sempre me inquietou a ida (em minha visão) prematura de Gésia para o Orun. Cabia a Jayro fazer valer a pena. Esse tem sido seu testemunho, desde a cruzada com o Dossiê “Guerra Santa Fabricada” (e VIVA Tânia Salles Moreira!!!), aos Encontros do Tradição dos Orixás, de suas andanças, descobertas, instituições criadas, compartilhamentos acadêmicos, em ações governamentais e outras... Do catolicismo no início, ao mergulho na cosmogonia e ancestralidade, à colaboração com a filosofia cristã protestante que se interrogava e, também, buscava caminhos... 

A cadeira de rodas, a necessidade de apoio para se deslocar, detalhe: a vitalidade de Jayro iluminava e era iluminada (cena encantadora para a Neusa, que o via pela primeira vez) pelo Axé das pessoas e da ambiência no Ilé Asé Egi Omim, em Pedra de Guaratiba, quando o reencontrei fisicamente, em 2016, depois de muitos anos. 

Sem dor e sem medo: a tônica eram proposições, um pensamento refinado, instigador, uma ginga epistêmica sedutora plantando perplexidade e dúvidas. A condição de reequilíbrio era gerar e compartilhar energias cósmicas, inefáveis, inconsúteis, tecidas no gosto das existências que buscam e vivem de verdade, mesmo sem conhecê-la. 

Bem-vindo, então, este livro! 

Bom que pesquisadores, como os autores desta obra, lembrando que Luís Cláudio de Oliveira é ativista do Projeto Tradição dos Orixás e do Movimento Negro, o compreendem como “articulador de um pensamento singular que tem como eixo a concepção do papel e da função sociopolítica dos terreiros”. Não apenas seguem ou buscam compreender a metodologia e a formulação teórica e filosófica desencadeadas pelo Jayro, mas também criam e estimulam novos olhares para os desdobramentos do que já foi realizado pelo Tradição dos Orixás. Demonstram que esse fazer e esse pensar podem ser reproduzidos coletivamente nos espaços interativos do terreiro, da academia, do movimento negro, e romper com a colonialidade do poder-do e saber-do ser. 

Densa essa encruza impressa: este livro “canta pra subir”!!! 

Os terreiros podem se tornar núcleos de insatisfações-inquietações-enfrentamentos de ditames coloniais, de hierarquizações e preconceitos insensatos!!! É preciso partir do AXÉ, da energia vital oriunda da ancestralidade, que constitui o mundo, a existência, e nos percorre e projeta física, mental e espiritualmente para adiante. Exemplo libertário. Bora vibrar terreiros de todo tipo e jeito, em todo lugar, com toda gente!!! 

JAYRO falou. 

Amauri Mendes Pereira 

Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ, especialista em História da África pelo Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA) da Universidade Candido Mendes (UCAM), e graduado em Educação Física e Desp. Desde 1999 é professor no Curso de Pós-Gradução Lato Sensu em História da África e do Negro no Brasil (CEAA-UCAM) e, atualmente, é professor adjunto do DTPE-IE-UFRRJ e do PPGEduc – Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRRJ. 

 

Sobre os autores

Edlaine de Campos Gomes nasceu em 16 de Abril de 1970, na cidade de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Graduada em Ciências Sociais, pela Universidade Federal Fluminense, Mestre em Sociologia e Antropologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Doutora em Ciências Sociais, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Realizou três estágios pós-doutorais: no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro; no Centro de Estudos da Metrópole (Cebrap), obtendo bolsa da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); e no Centre of Latin American Studies, University of Cambridge, como bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). É pesquisadora associada do Núcleo de Antropologia Urbana (NAU/USP). Atualmente é Professora Associada do Departamento de Ciências Sociais, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Memória Social, da mesma instituição. Foi Bolsista do Programa Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ, 2013/2016) e coordena o Observatório do Patrimônio Religioso (UNIRIO). Atua em pesquisas com ênfase em Antropologia da Religião e Antropologia Urbana. 

Luís Cláudio de Oliveira é nascido na cidade do Rio de Janeiro a 14 de dezembro de 1959, um dos sete lhos da empregada doméstica Maria da Glória Bernardo e do inspetor de polícia Wilson de Oliveira. Na juventude viveu no subúrbio do Méier, tendo se mudado para a cidade de Guapimirim, onde vive desde 2006. É cientista social, mestre em educação, cultura e comunicação em periferias urbanas e doutor em memória social. Desde os anos 1970 tem ativa participação política em movimentos sociais, especialmente no movimento negro. Foi professor da rede pública estadual do Rio de Janeiro por vinte anos. Atualmente é professor adjunto da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, UERJ. Pela Mar de Ideias navegação cultural, publicou o livro Famílias Negras Centenárias: memórias e narrativas (2016), 1o volume da coleção Tramas de Ideias. 

 

Livro | Especificações técnicas

20x25cm
204 páginas
documentário/ilustrado
ativismo/movimento negro/valores afrocentrados
coedição: IPEAFRO – Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros
ISBN 9788560458820 | R$ 68,00

 

coleção Tramas de Ideias reúne obras que resultam de pesquisas acadêmicas das Ciências Sociais e áreas afins. A escolha pelo título Tramas de Ideias provém da parceria realizada com a Editora Mar de Ideias e relaciona o termo trama com a noção de construção. O foco recai na divulgação de análises referentes a debates em torno das temáticas: cidade, religião, relações raciais e étnicas, sexualidade, emoção, família e memória. A coleção está aberta a novos pesquisadores, por meio da publicação de dissertações e teses, assim como de obras de pesquisadores seniores.


Informações Adicionais

Autor (a) Edlaine de Campos Gomes e Luís Cláudio de Oliveira
ISBN 9788560458820
Formato 20x25
Páginas 204

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