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O Tradição dos Orixás e Valores Civilizatórios Afrocentrados

Introdução (trecho)

"Entre a segunda metade da década de 1980 e a primeira metade dos anos 1990 houve uma aliança política entre ativistas do movimento negro e líderes religiosos do candomblé, em torno do desenvolvimento de ações para a preservação de religiões de matriz africana no país. O intuito era organizar uma reação estruturada  contra atos de igrejas neopentecostais. À época eram recém-fundadas, mas rapidamente ganharam visibilidade ao adotarem o discurso da batalha espiritual, a teologia da prosperidade e a ocupação de espaços centrais nas cidades, na política e em outros eventos da vida cotidiana (MARIZ 1999; GOMES 2010; ALMEIDA 2009). De acordo com as narrativas de nossos pesquisados, integrantes destas igrejas agrediam física e simbolicamente as religiões afro-brasileiras, o que ocorria contra os terreiros e seus adeptos (GOMES e OLIVEIRA 2013).

A conexão entre organização interna e o embate com as igrejas neopentecostais é fundamental na reflexão destes atores sociais sobre a trajetória do grupo que então se formou, sob a sigla IPELCY. O Instituto de Pesquisa das Línguas e Culturas Yorubá posteriormente passou a ser chamado de Grupo de Trabalhos da Religião e, em seguida, de Instituto de Articulação das Religiões Afro-Brasileiras (INARAB). Após este processo ficou reconhecido como Projeto Tradição dos Orixás. O debate mais amplo sobre memória, identidade e patrimônio permite compreender a trajetória do grupo, que conta com uma associação entre “retórica da perda” (GONÇALVES 1989) e narrativa da resistência. É consenso nas falas dos integrantes do projeto que este conflito constitui o motor central que impulsiona as reações organizadas a partir dos próprios terreiros nos anos 1980, que repercutem até o presente em ações empreendidas por diferentes atores, visibilidade adquirida nas redes sociais e na imprensa em geral, são exemplos de sua relevância. As narrativas pessoais (militantes e/ou religiosas) apontam que a  inclusão destas religiões – principalmente do candomblé – no discurso dos movimentos sociais negros  transformou-se processualmente ao longo do tempo, de pouco significativa a fundamental (GOMES e OLIVEIRA 2013). 

Foram realizados dez encontros em diferentes terreiros, organizados por militantes do movimento negro e por sacerdotes do candomblé. A proposta era articular as comunidades de terreiro em torno de ações concretas contra os ataques que, segundo as narrativas, eram tanto físicos quanto simbólicos. Hoje estes atores sociais são referências nos diferentes campos em que atuam (religioso, acadêmico e político), assim como nos debates em torno de preservação e proteção do patrimônio afro-brasileiro, nas esferas governamental e não governamental."